UFV e UFSJ visitam unidade produtiva da NanoFood, spin off acadêmica que licenciou tecnologia para preservação de frutas baseada em nanotecnologia

Postado em 30/jan/2025

Imagem: Reprodução: Instagram da NanoFood

Na sexta-feira (17/01), a NanoFood, uma spin off da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), apresentou o projeto da primeira fábrica de nanotecnologia da região do Alto Paraopeba. O evento foi realizado no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Ouro Branco e contou com a participação da gestora do NIT.UFV, professora Andrea Ribon, e da analista de patentes, Yara Amaral.

O NIT da UFSJ foi representado pelo servidor Antonio Henrique Polastri Rodrigues. Estiveram também presentes, o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede), Lucas Mendes de Faria Rosa Soares, o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, entre outros convidados. 

Para a professora Andréa é uma grande satisfação ver uma parceria de pesquisa entre a UFV e a UFSJ se materializar em um produto que tem o potencial de aumentar a competitividade e eficiência do setor agrícola brasileiro. A NanoFood contou com a parceria do Centro de Escalonamento de Tecnologias e Modelagem de Negócios (Escalab), que foi representada no evento pelo seu coordenador geral, professor Rochel Lago, no escalonamento do produto.

Inovação em Preservação de Alimentos

A apresentação marca um avanço significativo após a NanoFood licenciar com exclusividade uma tecnologia desenvolvida em conjunto pela UFSJ e pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Intitulada “Revestimentos a partir de biopolímeros biodegradáveis associados a nanoestruturas para a preservação de frutas pós-colheita”, a inovação permite prolongar a vida útil de frutas com uma camada externa comestível e sustentável.  Com a novidade da NanoFood, a fruta dura mais de 15 dias, comparado à fruta sem o produto, que começa a estragar em apenas 5 dias aproximadamente. 

Além do projeto da fábrica, a tecnologia foi apresentada ao público como uma solução inovadora para o setor de alimentos, oferecendo benefícios ambientais e econômicos.

O licenciamento da tecnologia ocorreu por meio de um edital de chamamento público lançado no início de 2024. A titularidade da invenção é compartilhada entre a UFV (30%) e a UFSJ (70%).

Conexões entre UFV e NanoFood

Dois profissionais com forte ligação à UFV desempenharam papéis centrais nesse projeto. O Professor Igor Boggione, fundador da NanoFood e líder do projeto da fábrica, é ex-aluno da UFV, onde concluiu a graduação e a pós-graduação e realizou o pós-doutorado. Já a Professora Jane Sélia dos Reis Coimbra, docente do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UFV, contribuiu diretamente para o desenvolvimento da tecnologia inovadora.

Mais sobre a Inovação

Imagem: Autoria própria

Em entrevista concedida ao NIT.UFV, Davyston Carvalho Pedersoli, CEO da NanoFood, explicou que a inovação se trata de “um revestimento alimentar que contém nanotecnologia e que cria uma camada de proteção nas frutas e nos legumes que é imperceptível ao olho nu, sem mudar sabor, sem mudar odor. Não muda as características.” Davyston ressalta que esse revestimento é “100% alimentar e atóxico” e, dessa forma, não causa nenhum tipo de dano ao ser humano. O produto foi testado em mamão, manga, gengibre, goiaba, laranja, entre outras culturas. 

No tomate, o produto ainda tem ação antifúngica. No caso do mamão, por exemplo, apenas 2% da produção nacional é exportada, devido ao curto shelf life da fruta. Com a tecnologia da NanoFood, este tempo pode ser, então, aumentado consideravelmente.

Para o CEO, além de cumprir o proposto, fazendo com que as frutas e legumes revestidos com a camada durem cerca de três vezes mais do que os in natura, o produto oferece outras características muito positivas para o ser humano, como o nanozinco e a nanoquitosana: “O zinco é um complemento alimentar, um nutriente. Então, a gente acaba trazendo nutrientes dentro da nossa formulação que trazem benefícios para a saúde humana.” 

Impactos para o Brasil

Para além dos benefícios na saúde humana, a tecnologia da NanoFood traz ganhos econômicos para o setor agrícola brasileiro. Davyston afirma que “30% da produção de frutas e legumes brasileira e mundial é perdida; com o revestimento alimentar da NanoFood, a gente consegue reduzir isso quase pela metade, aumentando o tempo de prateleira desses produtos e preservando a qualidade.” Para ele, a NanoFood pode ajudar a mitigar os danos do prejuízo anual de 1,3 bilhão de reais em supermercados brasileiros causados, principalmente, pelas perdas. 

Além disso, o produto se mostrou de alto rendimento, sendo que 1 litro dele protege, aproximadamente, uma tonelada de fruta. Este fator pode se mostrar atrativo para os produtores de frutas brasileiros.

Imagem: Reprodução/NanoFood (adaptada)

Projetos Futuros

A nova unidade produtiva inaugurada no dia 17 possui capacidade de produção de 18 toneladas do produto por mês, mas Davyston já revela novos horizontes para o crescimento da empresa: “a gente tem um planejamento de expansão da nossa fábrica, a gente pretende no próximo ano construir uma unidade produtiva de 200 toneladas.” A spin off, situada em Ouro Branco, também delineia a expansão da sua produção para polos no Nordeste e no Sul do Brasil. 

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